07 outubro 2007

Tradutor "Mentalismo / Comportamentalismo"


Este item do Blog foi idéia do Leandro Wagner, graduando em Psicologia em Ponta Grossa - PR.


Aqui você vai aprender o que o Comportamentalismo entende por termos comuns do vocabulário das Psicologias mentalistas. Um tradutor de Mentalismo para Comportamentalismo!



Consciência - nos mentalismos a Consciência é às vezes vista como uma substância, às vezes como uma energia, às vezes como uma dimensão, etc, etc, etc. No comportamentalismo a Consciência não tem uma existência em si, independente do ambiente, dos organismos, do mundo. Ela é o resultado da experiência de vida de um organismo inserido em um contexto com outros. No caso de pessoas, ela é produzida pela linguagem, pela comunicação entre pessoas. Assim, o Outro é fundamental para a noção de um Eu ou Consciência.

Eu / Ego - ver Consciência. Nos Mentalismos o Eu é uma espécie de homem-interior, sinônimo de espírito ou "núcleo do Ser". No Comportamentalismo o Eu é um repertório específico de comportamentos mais antigos e que tendem a durar mais que outros. Trata-se de um conjunto de aprendizagens. Por exemplo, a aprendizagem do próprio nome, da própria aparência física, etc. O Eu, ou Self, é uma perspectiva de referência, onde o organismo se compreende como objeto, agente ou unidade no contexto com outros.

Inconsciente -
Esse termo é puro mentalismo, inventado por artistas românticos provavelmente no século XVIII e popularizado pela Psicanálise. Ao invés de ser uma "região da alma" que determina nossos comportamentos, o Inconsciente é visto pelo Comportamentalismo simplesmente como um aspecto encoberto de muitos comportamentos. Assim, por exemplo, diz-se que se uma pessoa não sabe o porquê de ter medo de cães há um comportamento inconsciente em ação, no sentido de que sua origem e expressões não são compreendidas pela pessoa. Mas isso não quer dizer, em termos técnicos, que há um Inconsciente enquanto instância metafísica determinando o que somos, independente de nossas ações. Quer dizer que apenas que não entendemos as causas de muitos de nossos comportamentos.

Inteligência -
Há uma piadinha que diz que "Inteligência é aquilo que os teste de inteligência medem. Então o que os testes de QI medem, exatamente? Ora, a inteligência.." O fato é que não há, apesar de tantas décadas de pesquisa, uma definição consensada para o termo "Inteligência". Ele é mentalista porque defende que a pessoa tem um atributo estrutural (medível em uma escala) e que isso não é aprendido, treinável ou perdível. A inteligência seria uma medida de quão competente uma pessoa é para realizar atividades. O problema é que essa medida é historicamente falha: os testes de QI, por exemplo, costumam dar resultados diversos dependendo de variáveis ambientais, do estado momentâneo do avaliando, etc. Por isso o Behaviorismo prefere ver a "inteligência" como resultado do histórico de aprendizagem do indivíduo. Isto é, algo funcional e não estrutural. Pessoas "mais inteligentes" na verdade são apenas mais preparadas e não essencialmente melhores. Ou seja, para o Behaviorismo todos podem ser "inteligentes", basta que a educação seja eficaz, assim como todos podem perder inteligência, também.

Mente -
Trata-se do conceito-chave do Mentalismo (Como não poderia deixar de ser, hehe). A "mente", em sentido filosófico, é uma "coisa extensa"(Descartes), isto é, uma dimensão ou entidade imaterial que interage com o corpo. Como não é física, não tem propriedades como volume, peso, localização no tempo-espaço, etc, portanto não podendo ser estudada diretamente pela Ciência. No Comportamentalismo, contudo, entende-se por "mente" uma metáfora para o organismo (Ex: "Minha mente está calma" pode querer dizer "Eu estou calmo") ou para repertórios comportamentais (Ex: "Use sua mente para resolver isso" pode querer dizer "Use suas habilidades para resolver isso").

Motivação - no Mentalismo se entende por "motivação" uma energia interior que anima a pessoa em prol de objetivos destacados na "mente". No Comportamentalismo a motivação é entendida como a forma como o estado momentâneo do organismo interage com as circunstâncias e sua história de aprendizagem. Por exemplo, uma pessoa privada de carinhos e que tenha aprendido o efeito desse ato por muito ter sido acariciada pelos pais provavelmente afirmará ter desejo de ser acariciada. Alguns motivadores não dependem de privação, sendo portanto quase sempre reforçadores, como o dinheiro.

Personalidade - Vem do grego "persona" que significa "máscara" e designa um personagem que a pessoa exerce sobre determinadas circunstâncias (Ninguém tem apenas uma personalidade, pois ela varia conforme o contexto, ou "palco de atuação". Ex: no trabalho você é de uma forma, em casa de outra bem diferente). Comportalmentalmente, a "personalidade" pode ser entendida como padrões de comportamento relativamente estáveis que permitem identificar uma pessoa. (Ex: João é um cara extrovertido e bem humorado. Sua personalidade é assim). Na verdade, João apresenta de forma freqüente comportamentos que demonstra bom humor e extroversão, mas não necessariamente o tempo todo e dificilmente sob qualquer circunstância.

Vontade / Desejo - Quando se diz que alguém está com vontade de algo, quer-se dizer que essa pessoa está privada ade/ desse algo. Por exemplo, alguém que não toma água há muito tempo, está com vontade de tomar água. A pessoa que fica muito tempo sem comer doces, afirmar que está com desejos de doces. Ou seja, os termos vontade e desejo são utilizados para se referir a uma operação estabelecedora de privação de um estímulo específico. .


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