
Hoje no trabalho um colega tentou ligar a luz do teto clicando com o dedo no interruptor. Ele aprendeu ao longo de sua vida que normalmente isso funciona, logo não havia muitos motivos para achar que se apertasse o botão a luz não acenderia.
Tentou uma vez. Nada. Duas vezes. Nada. Então passou a clicar diversas vezes. Em seguida, um pouco nervoso, deu um murro de leve no interruptor. Nada. (A luz estava queimada, e ele custou uns 10 cliques para perceber isso).
Este post não é sobre a aparente burrice do meu colega (que aliás de burro não tem nada). É sobre o conceito de extinção. Quando algo que fazíamos e sempre dava certo passa a falhar é comum
1) que tentemos com mais freqüência e intensidade no início, como um teste para ver se não vai funcionar mesmo (no caso dele, foi clicar diversas vezes rapidamente no interruptor)
2) que em seguida mudemos a topografia da resposta, como que para aumentar o teste (no caso dele foi esmurrar o interruptor ao invés de usar o indicador)
Por fim ele parou de tentar. Pode-se dizer que houve uma extinção pois seu comportamento de acender a luz naquelas circunstâncias foi "eliminado". (Contudo ele sabe que logo vão colocar uma nova lâmpada).
Quando um fracasso nos frustra a tendência é mais ou menos essa: insistirmos em respostas erradas no início, ficar nervosos e tentar fazer de outras formas depois. Algumas vezes funciona, outras não. Quando uma pessoa se queixa de estar frustrada e adota comportamentos "estranhos" é sinal de que ela está passando pela extinção de comportamentos importantes para sua identidade. A tolerância a frustração é, portanto, uma habilidade fundamental para nossa saúde pois ao longo da vida passaremos por muitos processos de extinção de comportamentos.
No caso do meu amigo que se irritou com a lâmpada: teria sido melhor abrir a janela para o sol entrar.. =)

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