10 maio 2010

Análise do Comportamento e tratamento do autismo



Hoje contamos com a entrevista do Rodrigo Fantini, Analista do Comportamento de São Paulo-SP que tem experiência com tratamento de pessoas com diagnóstico de autismo.

Confiram:



Conte um pouco de sua historia com o Behaviorismo Radical.

É difícil apontar onde foi começo do entrelaçar de minha história de vida e a filosofia da ciência que é o Behaviorismo Radical. Acredito que a visão de homem adquirida por mim, ao longo dos anos que vivi (23 anos) e as maravilhosas aulas de Análise Experimental do Comportamento Humano (AEC) e Análise Funcional do Comportamento Humano (AFCH) ministradas pela Professora Yara Claro Nico, durante o segundo ano da minha graduação, me levaram a ser um estudante da Ciência do Comportamento. Esta fusão ainda esta no começo, mas já me rendera bons frutos.


Como chegou a trabalhar com pessoas diagnosticadas com autismo?

Desde o primeiro ano da graduação, depois de passar pelo setor de Recursos Humanos, percebi que as atividades ligadas à Saúde e Educação eram mais prazerosas e interessantes para mim, então, engajei-me nos estudos relacionados e decidi buscar um estágio com este recorte. Minha primeira experiência foi em uma escola de educação especial, que buscava realizar um trabalho pedagógico junto com uma rede de apoio, com diversas terapias, tais como: Terapia Ocupacional, Fonoaudiologia, Fisioterapia e Psicologia. O segundo contato, e atual, esta ligado ao trabalho com indivíduos em escolas que desejam incluir alunos com o desenvolvimento atípico ou dificuldades de aprendizagem. O autismo, com seus diversos níveis (espectro), pode se encaixar nas duas definições.



O autismo é entendido pela Medicina
como um transtorno global do desenvolvimento


É comum se ouvir falar que a ANálise do Comportamento tem um método reconhecidamente eficaz para tratamento de autistas. Do que se trata? Por que ele e por quem ele é reconhecido?

Bom, a Análise do Comportamento (AC) trata-se de um universo científico - assim como é a Física, a Química e a Biologia - que contém diversos conhecimentos definidos e derivados pela Análise Experimental do Comportamento (AEC) e a Análise do Comportamento Aplicada (ABA). Todos eles são conjuntos tecnológicos destinados à intervenções de problemas relacionados ao comportamento, seja eles quais forem, o método ABA é o mais divulgado e conhecido atualmente pelos profissionais da área. É reconhecido, em minha opinião, por entender o ser humano como um ser genuíno e detentor de todos os pré-requisitos necessários para mudar qualquer situação, na qual, ele se encontra, sem rotulá-lo como "doente", "anormal" ou "incapaz" além de sua propriedade científica. Atualmente é reconhecido por instituições, públicas e privadas, nacionais e internacionais, mas acredito que o reconhecimento maior e que detém maior patente de autoridade é o existente por parte da família destes indivíduos diagnosticados com autismo.


O autismo está associado a prejuízos na capacidade
 de se comunicar e se relacionar com outras pessoas


Como é trabalhar com esse público? Poderia contar algo sobre um episódio especialmente marcante?

Particularmente eu adoro, é um trabalho magnífico e extremamente gratificante. É fato marcante, quando você consegue enxergar os avanços alcançados pela criança ou adulto autista, cada dia, cada nova resposta ao tratamento é inesquecível. Mas algumas habilidades são exigidas no manejo do dia-a-dia, para se usar adequadamente as ferramentas necessárias no trabalho com autistas, sendo um Analista do Comportamento, tais como: a) conhecimento  aprofundado das implicações inerentes as leis universais do comportamento; resiliência; flexibilidade ideológica, pois atualmente são poucos os profissionais que concordam com uma visão Behaviorista Radical do ser humano e principalmente desapego financeiro, pois infelizmente a remuneração para quem trabalha com esta população é exploratória e insuficiente.


Cena do filme "Rain Man" (1988)
No cinema, quase todos os autistas têm sintomas severos
e exibem habilidades intelectuais quase mágicas
Na vida real, esses são uma exceção.


O que você tem a dizer para quem se interessa por essa aplicação da Análise do Comportamento?

Que seja bem vindo à comunidade, que estude bastante, critique, seja exigente consigo mesmo, deixe a preguiça de lado e lute para mudar o atual cenário, onde alguns métodos são vendidos como eficientes e eficazes, mas estão na verdade prejudicando o indivíduo e sua família. O comportamento de se trabalhar com autistas, utilizando a Análise do Comportamento, tem que estar diretamente ligado aos aprendizados e melhorias adquiridas ao longo do tratamento.

4 comentários:

Fernanda disse...

Bem interessante.
Gosto dessa área.
Parabéns pelo Blog!

Anônimo disse...

Excelente entrevista!

Laly disse...

Atualmente estou fazendo um levantamento sobre teorias /i ntervenções no tratamento de autista. Você poderia me repassar o contato do entrevistado? Será muito útil a sua ajuda.
Obrigada

Alessandro Vieira dos Reis disse...

O email do Rodrigo Fantini é ro_2005_22@hotmail.com