07 julho 2010

Ergonomia & Análise do Comportamento




Que a Análise do Comportamento estuda como o ambiente influi as pessoas você já deve saber. Mas sabia que por "ambiente" pode-se entender também as disposições dos móveis em uma sala? (Aliás, esse termo costuma significar até 4 coisas).


Há pouco mais de 30 anos instaurou-se no Brasil, por psicólogos, uma área de conhecimento chamada "Ergonomia", que trata de estudar como adaptar objetos e lugares para o uso das pessoas. 


Infelizmente os psicólogos deixaram essa área escapar, e hoje ela é dominada, ao menos no Brasil, por outra classe profissional, que se mostrou mais esperta (engenheiros). 


OBS: Se bem que há ainda psicólogos que são uma exceção a regra e lidam com ergonomia, e tive o prazer de ter aula com um deles, Dr. Roberto Cruz.


A ergonomia é uma forma de
analisar um ambiente 
para torná-lo mais
adequado às pessoas.




O fato é que estou fazendo testes de um produto (sobre o qual não posso falar por motivos de sigilo profissional). Os testes são realizados com usuários, em uma sala. Antes de começar os procedimentos, tive que adaptar ergonomicamente a sala para essa função, para que ela tivesse melhor ambiência.


OBS1: Sobre ambiência, clique aqui para ver uma sala de aula com boa ergonomia para tal.


OBS2: Clique aqui para ver um banheiro com espaço físico problemático, rsrs.

Voltando ao caso que é tema deste post...



A sala, antes de eu mexer nela, estava abarrotada de objetos que seria estímulos prejudiciais para o teste. Bagunça não combina com ergonomia! Esses objetos inúteis iriam prejudicar os testes, tornando o ambiente disfuncional.

Mas por sorte (das grandes!) a sala tinha um depósito, onde pude esconder todos:




E em seguida, fechar a porta:



Depois ainda tive que varrer tudo, passar espanador nos móveis, etc (Limpeza é um importante critério ergonômico, além de organização!)


Prossigamos...

Os testadores precisam sentar-se na frente de um computador por cerca de 40 min (o produto é um software). 


Mas eu preciso ficar sentado do lado deles, para observar e orientar:




A minha cadeira tem um braço, a do testador, que operará o computador, não. Note ainda que há um móvel que coloquei no fundo da sala. Essa outra foto deixa claro para que ele serve:




Pedi para que colocassem café, água, suco, copos descartáveis e uns biscoitos.  Tudo para tornar o ambiente aconchegante para o testador, aumentando as chances dele se sentir gratificado e concentrado no teste.


Como deu pra ver, um critério ergonomico importante é o conforto. A sala, além de funcional para o teste, precisa ser aconchegante. 


Por isso pedi também para colocarem esse sofá no fundo, para quando o testador for entrevistado, sentir-se acomodado:





Neste outra foto pode-se ver uma janela:





Para arejar o ambiente, mantenho-a aberta. Mas note que ela dá para uma rua, que tem certo barulho. Infelizmente não deu para isolar acusticamente a sala (o que acabou não sendo um problema).

Porém a mesa onde ficará o computador fiz questão de colocar virada para uma parede branca, porque caso ela ficasse virada para a janela ou para a porta de entrada da sala, certamente o testador seria distraído, e ele precisa focar-se no computador.


Porém nessa foto acima dá para ver também um monte de cacarecos, vidros e madeiras que estão na parede. Não tive onde colocá-los e infelizmente eles prejudicam a funcionalidade do ambiente. 


Uma solução interessante para esconder esses estímulos da vista dos testadores seria ter um biombo para escondê-los atrás:




Mas eu não dispus de tal recurso!


Na última hora, decidi que essa cadeira não era apropriada para o testador:






Ela não era nada ergonômica, pois não ajudava a se movimentar, além de ser dura e estar encardida (limpeza sempre vai bem, hein!)


Por isso a subistituí por esta, que é equivalente, porém superior em critérios ergonômicos:




Para finalizar, para realizar os testes, fiz uso dos seguintes instrumentos:



O cronômetro para medir o tempo de uso e de reações dos testadores a determinados estímulos.



A trena, para medir as dimensões da sala e dos móveis.


Ah, claro, eu usei a câmera para registrar com fotos e videos os testes. Mas não posso mostrar esse material aqui no blog, hehehe.


O dia 1 dos testes foi hoje. Amanhã tem mais.


Desejem-me sorte, ok?


Espero que este post sirva, especialmente para graduandos em Psicologia sacarem que um Analista do Comportamento pode fazer muitas coisas que a maioria das pessoas nem sabia que era área de competência dele. 


Projetar ambientes ergonomicamente é uma delas. Realizar testes de software com usuários, outra.





3 comentários:

Sir Chrystian disse...

Boa sorte, Ale! E Parabéns pelo post!
Ah... uma planta natural também ajuda a tornar o ambiente mais aconchegante, traz vida (contrasta objeto "animado" entre inanimados), dependendo da planta agrada o olfato, etc.
Bom, quanto aos cacarecos, não seria possível deixar todos na horizontal (deitados), centralizados na parede, um atrás do outro, do menor encostado à parede, ao maior objeto mais à frente (talvez aquela placa de madeira). E pra completar, um vaso com uma planta de aproximad. 1,50m. Que tal?
A porta que o sofá está tampando é a do depósito? Se for, até que ok, mas eu iria sugerir o sofá mais ao canto, sem tampar a porta (melhoria estética). A cadeira, que até tem boa funcionalidade para colocar a mala, eu moveria para o lado oposto.
Claro... É apenas minha humilde opinião ^^ Se precisar de um help me chama que eu vou até aí! heheheh

Abração! Ótimo trabalho, bom rapport e manda brasa!

Sir Chrystian disse...

AH! Faltaram justamente os elogios! Ficou muito boa a sala! A mesa do café ficou bem bacana, bom ter escolhido cores mais vivas - jarras laranja e vermelha, além da cadeira azul - que deram uma animada no ambiente. Os biscoitos então, uuuuu hummmm! São um baita reforçador pra mim hehehe
Acrescento: se tiver alguma almofada também cairia bem no sofá!

Abraços!

Eduardo disse...

Muito bom o post, estou gostando muito desta série de posts sobre Ergonomia. Esse post me fez pensar sobre os cuidados ergonômicos a serem tomados em um consultório de psicologia.