20 fevereiro 2011

7 Diferenças entre Cognitivismo e Comportamentalismo






Cognitivismo Comportamentalismo
Relação Homem-Mundo Dualista: existe o mundo interior (da mente) e o mundo exterior (do corpo). Monista: não há mundo interior e nem exterior, mas apenas relações contextuais  organismo-ambiente.
Comportamento Atos observáveis. Tudo mais, como pensamentos, são “processos cognitivos” Atos observáveis e também os encobertos. Pensar, sentir, imaginar, etc, são comportamentos, pois são ações que ocorrem em contextos de determinação.
Cérebro Fundamental para compreender a cognição. A chave para o entendimento do humano. Pode ser muito importante em alguns casos entender da Fisiologia cerebral (como de lesões neurais). No mais, ele é entendido como parte das contingências, um conjunto de variáveis que interage com outras.
Mente Algo real, e objeto central de estudo. Estudar a mente é desvendar o ser humano. Uma metáfora para comportamentos sutis, como o pensar, recordar, perceber, etc. Focar muito a mente é um problema, pois se perde de vista as contingências que determinam o comportamento.
Emoções Causam comportamentos. Ex: João riu porque ficou alegre. Tanto emoções quanto comportamentos são causados por contingências. Ex: João ganhou um doce, o que o deixou alegre e o fez rir.
Terapia Mudar a mente: a forma como a pessoa pensa, fala, modela mentalmente o mundo, etc. Mudança de dentro para fora. Mudar as contingências da vida da pessoa. (As emoções, pensamentos, etc, seguem as contingências). Mudança de fora para dentro (se bem que não existe “fora” e “dentro”, como exposto anteriormente, lembra?).
Abordagem híbrida: cognitivo-comportamental Aceitam numa boa, até porque a “herança comportamental” (procedimentos eficazes) é muito bem-vinda. Não aceitam, porque isso representa misturar duas abordagens epistemologicamente inconciliáveis (como procurei demonstrar que são, nesta tabela).




7 comentários:

Tiago M. Speckart disse...

Perfeito Alessandro =)

Existe na TCC o problema dos pressupostos inconciliáveis, que sempre são na verdade cognitivos, mas há também o problema dos conceitos.

Uma colega minha da graduação, que veio de outra universidade, participou comigo semestre passado de um grupo de estudos de AC. Ela era bem interessada em AC, mas tinha tido apenas formação em TCC na graduação da outra faculdade.

Comparamos os conceitos básicos que ela sabia, da TCC, com os nossos da AC e vimos diferenças gritantes. Ela igualava comportamento a ação observável, a função da terapia era "mudar os esquemas mentais" e ela desconhecia conceitos básicos como reforço, comportamento operante e contingência. Recomendamos a ela tentar cursar as disciplinas básicas de AC da graduação, algo que ela não teve na outra faculdade, antes de continuar no grupo, já que falávamos em "behaviorês" e ela não entendia nada =/

Essa história me confirmou algo que eu já suspeitava: a TCC não é nem de perto uma junção entre Comportamentalismo e Cognitivismo, mas sim apenas Cognitivismo. Acho que o segundo "C" de TCC é só para ajudar a vender.

Alessandro Vieira dos Reis disse...

"Essa história me confirmou algo que eu já suspeitava: a TCC não é nem de perto uma junção entre Comportamentalismo e Cognitivismo, mas sim apenas Cognitivismo. Acho que o segundo "C" de TCC é só para ajudar a vender."

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Corroborando com isso: se houve mesmo uma Revolução Cognitiva que deixou o comportamentalismo no chinelo, porque 30 depois precisaram fazer uma abordagem híbrida da que revolucionou com a que foi deixada pra trás?

;-)

Marcos A. Rodrigues Jr disse...

Tabelas assim deveriam existir em livros de introdução a Psicologia.

Saulo Pacheco disse...

Tem um livro muito bom da Nazaré Costa sobre este assunto. O título é "Terapia Analítico-comportamental: dos fundamentos filosóficos à relação com o modelo cognitivista". Recomendo a leitura.

Felipe disse...

Oi Alessandro,

Gostei MUITO dessa tabela, vou imprimir e distribuir na minha sala de aula! Abs!

Emerson Luís disse...

Alessandro:

Além de dualismo e monismo, existem mais dois paradigmas: mentalismo e materialismo filosófico. Também discordo do dualismo e do mentalismo, que é ainda pior. Mas a forma como você apresenta sua discordância faz parecer que defende o materialismo filosófico, que é tão extremista e errôneo quanto o mentalismo. Empenha-se tanto em combater e/ou evitar um erro que comete o erro oposto.

Quando um behaviorista afirma que não existe "mente", a impressão dos de fora é que ele pensa que não existe pensamento, recordação, imaginação, autoconsciência, que a cabeça é oca, que o ser humano é apenas uma máquina automática, sem autonomia e poder de decisão.

É um alívio saber que você reconhece a existência do pensamento! Então é só não usar a "palavra proibida" (mente) que nós nos entendemos e percebemos que pensamos de forma mais parecida do que imaginávamos...

Como assim "o cérebro PODE ser importante"? Quanto tempo sobrevive o bebê que nasce com anencefalia? E que tipo de "vida" ele tem?

http://pt.wikipedia.org/wiki/Anencefalia

O dualismo ensina que a mente existe e pode sobreviver de forma independente do cérebro. Isso é uma opção de crença pessoal, assim como o ateísmo, no qual o psy ético não deve intervir nas dos outros e pode acreditar no que quiser em sua vida particular.

O monismo diz que o cérebro produz pensamentos do mesmo modo que as glândulas produzem suas substâncias; assim como as substâncias glandulares não existem sem as glândulas, os pensamentos não existem sem o cérebro. Aliás, alguns dizem que o cérebro é uma glândula gigante.

É a mesma relação entre hardware e software. Sem o sistema operacional, o computador fica em estado de coma. Mas o sistema operacional não pode funcionar sem a máquina para ele operar.

A teoria dos sistemas apresenta o conceito de "subsistema", um sistema dentro de outro. De modo geral, todo sistema possui subsistemas e todo sistema é um subsistema de algum sistema maior. Também existem sistemas abertos e sistemas fechados.

O cérebro e o organismo são um só sistema, composto de muitos níveis de subsistemas. E o próprio cérebro/organismo é um subsistema em relação ao ambiente em que está inserido, um subsistema aberto que é influenciado e influencia esse sistema maior. É uma visão cibernética do ser humano em seu ambiente, em vez de uma visão mecanicista.

Portanto, é perfeitamente possível ser um psy cognitivo seguindo o paradigma monista. De fato, todo psy deveria pensar de forma monista no exercício de sua profissão, deixando suas crenças pessoais para sua vida particular.

E todo psy devia conhecer o básico das outras abordagens, os princípios do método científico, a teoria dos sistemas, a teoria dos jogos, a cibernética, etc. Assim evitaria cair no dogmatismo, no extremismo e outros males.

Embora com certeza alguns psy-cogs possam pensar como consta na tabela, a visão do cognitivismo apresentada nela é estereotipada. Em vez de dizer que o cognitivismo e o comportamentalismo são irreconciliáveis, seria mais científico e humilde dizer que vocês não conseguem reconciliá-los.

Abraço!

* * *

Alessandro Vieira dos Reis disse...

"É um alívio saber que você reconhece a existência do pensamento!"

HAHAHHAHAHHAHAHAHAHHAHA