01 abril 2011

Luiza Tomé, Psicossomática e Stress





Recebi um pedido de post via Twitter, da Vanessa:




Para responder a essa questão, farei referência a esta notícia: Luisa Tomé é internada em São Paulo por causa de uma "crise de stress".


O que me chamou a atenção é que ela foi hospitalizada e ficou assim por dias, até sua "crise" passar, onde os principais sintomas eram dores no estômago.


Luiza Tomé, aos 50 anos...


O que me chamou a atenção na matéria foi:


1- “Fizeram uma bateria de exames e foi constatado que era estresse” - Em geral o diagnóstico de stress é por eliminação: se não foi algo identificável como doença e afins, presume que é "apenas psicológico" e estipula-se um quadro de stress. Por isso se um dia você receber diagnóstico parecido, exija um diagnóstico diferencial: o que pode ter sido entendido como stress pode ser outra coisa...


2- A causa alegada de tanto stress foi uso injusto de sua imagem. O mesmo, contudo, ocorreu há 20  anos. Isso sugere um efeito acumulativo das experiências aversivas, ou uma contingência problemática de looooongo prazo não resolvida.


3- “Tenho gastrite. Quando fico com raiva, meu estômago que paga. Estou sentindo tanta dor que vou agora ao Einstein para ver se o médico me passa um remédio na veia e me libera para ir apresentar a peça no Rio” - O estômago é o alvo favorito do "nervosismo", por questões fisiológicas. Dizendo de forma mais comportamental: o sistema digestivo é um dos mais atacado quando contingências de ansiedade se potencializam a longo prazo. Aliás, a Síndrome do Intestino Irritável também vai nessa linha.


4- “Vou tentar ultrapassar minha saúde, minha dor e minha raiva para fazer a peça". Luiza admite que sua dor está relacionada com sua raiva. Ou melhor, mais que admitir, parece determinar isso.


IMPORTANTE:  Na verdade, tanto a dor no estômago quanto a raiva são causadas por uma mesma coisa: contingências de ansiedade.


5- Uma observação curiosa: o nome da atual peça da atriz é "Mulheres Alteradas" (Fina ironia, hã?)


Quadros de Stress estão relacionados
a estimulação pré-aversiva própria da ansiedade


Como entender, comportamentalmente, o estado de Luiza Tomé ?

O que é diagnosticado como "quadro de stress" é um conjunto de contingências onde o fator-chave é o que chamamos de ansiedade, isto é, um estado de alerta determinado pela presença de estímulos pré-aversivos.


Antes de mais nada, ela leva uma vida repleta de ansiedade há decadas, pelo que disse no ponto 2 , e essas contingências têm caráter cumulativo quando não resolvidas. Sabemos que em condições de ansiedade, organismos tendem a eliciar respondentes emocionais pertubadores (No caso de Luiza, parecem ser sentimentos de raiva, que aliás está relacionada a respostas de luta, enfrentamento).


Porém o stress, além de pertubações emocionais, também altera comportamentos, aumentando ou diminuindo drasticamente alguns deles, casuísticamente. Pode ser, p.e., que os operantes relacionados a raiva e enfretamento de Luiza Tomé tenham sido alterados ao longo desses anos, pelo visto ganhando força demais. Ela pode ter perdido força de seus operantes de enfrentamento, geradores de saúde (Hipótese).


Pessoas estressadas tendem a ter "comportamentos bizarros para seu padrões": pode ser também que outros comportamentos tenham sido fortalecidos pelo stress, como beber, fumar, etc; enquanto outros tenham sido enfraquecidos, como praticar atividades físicas, meditar, relaxar, etc.


Combine esses 2 fatores (emoções desagradáveis de um lado, e comportamentos "bagunçados" de outro) e o que temos?


Uma pessoa que tem tudo para adoecer misteriosamente... 


Dores de cabeça inexplicáveis podem ser
determinadas por condições de ansiedade,
que também originam pensamentos e sentimentos desagradáveis


Na maioria das vezes, esse mal-estar não é uma doença propriamente, mas uma reação fisiológica de esgotamento do organismo, como na Síndrome de Burnout, que por sua vez desencadeia quadros médicos, doenças reais, etc. O mecanismo biológico disso é simples: baixa no sistema imunológico e desarranjos hormonais (Aliás, no caso de Luiza há um agravante: possivelmente ela está na menopausa).


Sabemos ainda que o stress pode afetar operantes relacionados a autoestima, deixando a pessoa mais propensa a quadros de depressão


OBS: Stress e depressão estão intimamente ligados, pois enquanto o stress é provocado pela presença de estímulos aversivos, a depressão é entendida como uma perda drástica de estímulos positivos.


Se por um lado o efeito placebo pode até curar doenças (liberando a pessoa de ansiedades emocionais, dando assim oportunidade pro organismo se fortalecer) também temos o efeito nocebo, onde mal estar emocional pode desencadear mal-estar físico. Ex: Você passa o dia magoado por algo, pensando em alguém que te magoou e acaba ficando com uma "inexplicável" falta de ar (que na verdade é um sentimento tateado erroneamente como sintoma físico).


Como disse uma vez um professor meu, na graduação: às vezes uma gastrite (caso da Luiza Tomé) é um aviso do seu organismo: "Ei, cara! Vê se muda suas condições de vida porque eu não to mais aguentando. Abraço!"



Um comentário:

Nessa. disse...

Obrigada pela explicação!!!
Excelente!!

Beijo grande!
Vanessa.