23 agosto 2011

Humildade & Honestidade como 2 Virtudes Científicas

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Eu soube, na graduação em Psicologia, que daria valor à Ciência quando um professor me falou de Karl Popper(foto abaixo).

Sendo direto: Popper propôs o princípio da Falseabilidade. Em resumo, trata-se do seguinte compromisso do cientista: "Você saberá que minha tese está errada ou não se tal e tal coisa acontecer".

O cientista, ao contrário de muita gente, dá a cara a tapa.

Quando diz algo, tem a honestidade de oferecer condições para o ouvinte verificar se aquilo que o cientista diz funciona mesmo ou não.

Além disso, o cientista ainda tem a humildade de admitir que mesmo que suas teses sejam verdadeiras (isto é, funcionais), elas ainda podem ser substituídas por outras melhores (sabendo que um dia certamente serão!).

Enquanto em outras formas de saber refutar uma tese é destruir aquele saber, quando se refuta teses científicas está-se na verdade fortalecendo a Ciência, isto é, a forma científica de pensar o mundo (que pressupõe a constante evolução a base de refutações).

O bom cientista quer ser questionado, quer ter suas teses escrutinadas e até mesmo superadas. (Porque ele sabe que isso faz bem pra evolução da Ciência).

"Verdade", para o cientista, é tão somente uma invenção útil para operar sobre uma determinada realidade, e não um fim em si mesmo.

Humildade e Honestidade...

Quando me dei conta da existência dessas duas virtudes na prática científica, decidi que daria mais atenção a, que confiaria apenas em autores que ofereciam teses falseáveis, e que eu questionaria os que vinham com teorias não comprovadas (ou mesmo não comprováveis).

Obrigado, Karl Popper!
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6 comentários:

Rafael disse...

"O cientista quer ser questionado, quer ter suas teses escrutinadas e até mesmo superadas. (Porque ele sabe que isso faz bem pra evolução da Ciência)".

Assim é a postura do cientista do País das Maravilhas. Na comunidade científica tal como a conhecemos, o que ocorre é a mistura de ciência com política, pois cada cientista tem um nome a zelar e uma carreira a construir. E todos eles querem sempre fazer parte da literatura atualizada sobre um tema, não dos livros de história.
A ciência é mesmo maravilhosa em princípio, mas, como tudo o que é humano, está permeada de interesses individuais que impedem que ela seja feita como se deveria.

Alessandro Vieira dos Reis disse...

está correto, Rafael

não há "A Ciência"

há cientistas...

mais um motivo para sermos criteriosos: nem todo cientista é suficientemente confiável (Procure por aqueles que, como Karl Popper colocou, oferecem corretamente teses falseáveis).

Rafael disse...

Bom, eu ia falar algo parecido, mas meu xará apareceu e disse tudo.

Confesso que uma das minhas grandes decepções foi realizar justamente isso. Imagina "minha surpresa" ao perceber que o "quem indica" é o que realmente "te bota para dentro" das pos-graduações, não só no Brasil mas no mundo todo.

Um livro que acho que você pode se interessar Alessando, e que está na minha lista de leituras futuras é esse:

http://www.amazon.ca/Meritocracy-Myth-Stephen-J-McNamee/dp/0742561682/ref=sr_1_1?ie=UTF8&qid=1314165131&sr=8-1

Alessandro Vieira dos Reis disse...

vcs 2, Raféis(rsrs), estão atestando a falta de ética de alguns cientistas, apenas (da cultura brasileira? Não fico surpreso!)

o q vcs dizem não anula a humildade e honestidade do "bom cientista" (que realmente leva o principio da Falseabilidade a sério).

Francisco disse...

Honestidade e humildade são realmente requisitos para o bom cientista! Esses comportamentos não necessariamente são feitos por pura e intrínseca bondade dos cientistas em questão, talvez apenas por pressão de seus pares. Mas que são requisitos, são. :)

Rafael disse...

Com certeza Alessandro. Na verdade eu acredito que todo o (realmente) bom cientista tem essas virtudes. Acrescentaria uma terceira: Tutoria, a qualidade de passar sua experiência a outros.
De todas as qualidades, essa me parece a mais defasada!