domingo, 29 de janeiro de 2012

Stephen Ledoux e a "Comportamentologia"




Stephen Ledoux (foto ao lado), PhD em Behaviorismo e editor da Behavior Analyst Today, defende algo que eu já venho falando há tempos: de que é preciso um divórcio (amigável, se possível) dos behavioristas com a Psicologia. Ledoux disse que esse divórcio já ocorreu, só que muita gente ainda não ficou sabendo...


Em 1963, B. F. Skinner escreveu um artigo chamado "O Behaviorismo aos 50 (anos de idade)". Com o behaviorismo prestes a completar 100 anos, iniciado em 1913 com John Watson, Ledoux publicou recentemente, na American Scientist, um artigo chamado "Behaviorismo aos 100". No texto, defende que já existe uma disciplina das Ciências Naturais, independente da Psicologia, para o estudo do comportamento. Trata-se da Behaviorology ("Comportamentologia").


Por sinal Ledoux se apresenta como professor de Behaviorology, em universidades, em seu site. Ele também montou um instituto privado sediado em Canton, New York, pelo qual presta consultoria em projetos em diversos países, incluindo a China! 


Ou seja, além de um cientista renomado, PhD cujo nome aparece em prestigiosas publicações, ele também é um empresário de sucesso.


E Notem a lista de tópicos de um curso de Behaviorology:

- Introdução à Ciência e Tecnologia (opa!) do Comportamento
- Ciência aplicada e tecnologia do comportamento (Tô adorando o pragmatismo desse cara!!!!)
- Engenharia Comportamental (Agora ele me conquistou de vez!) 
- Aplicações (maravilha!!!) da Análise do Comportamento Verbal


dentre outras...


Ledoux parece ressuscitar um sonho esquecido de
B. F. Skinner: a criação de uma engenharia comportamental
(o que mais se fala hoje é em programação de contingências)


Breve Histórico da Disciplina


- Em 1987 a disciplina já teria sido reconhecida oficialmente em universidades dos EUA. Porém não em todas: ela ainda é um paradigma emergente que, prosperando, será o grande concorrente da Psicologia (que Ledoux diz dar explicações metafísicas, fundamentalmente místicas, para o comportamento).


- Em 1993 ele já havia escrito um artigo chamado "About Behaviorology: An Introduction to the Incompatible Paradigms and Historical and Philosophical Developments Among Disciplines Addressing the Behavior of Individuals". 


- E em 2002 ele escreveu este artigo: "Origins and Components of Behaviorology". 


- Nessa época também escreveu um livro sobre educação familiar


- Clique aqui e leia um artigo que Ledoux escreveu em 2008 sobre a Behaviorology aplicada a nível cultural (no que ele chamou de "Culturology").


Fica a pergunta: Ledoux está mesmo certo? Será que algo como a Behaviorology já está funcionando a plena vapor e dando resultados práticos?


O professor Ledoux teve um artigo sobre a Behaviorology publicado na
edição de centenário da revista American Scientist. Hoje presta consultorias
na Austrália, China e EUA em projetos tecnológicos.


O Behaviorismo é uma filosofia sobre a Ciência. A Behaviorology, nas palavras de Ledoux, é uma disciplina prática, que tem um forte braço tecnológico e que integra a Análise e a Síntese Comportamental. 


Ledoux deixa claro que a Behaviorology é focada em tecnologia: trata-se de aplicar saberes para mudar o comportamento humano e com isso realizar o sonho de B. F. Skinner de um mundo sustentável.




Tanto é assim que Ledoux usa aplicações da Behaviorology para resolver problemas do Aquecimento Global como exemplo do poder da nova disciplina. Para saber mais sobre as aplicações ambientais da Behaviorology, clique aqui.

É, meu caros... E tanta gente achando que a abordagem comportamental é só pesquisa teórica e básica, e só Watson e Skinner, ratinhos e pombos, né...



9 comentários:

Pedro disse...

Não vi muita diferença entre "behaviorology" e simplesmente "Análise do Comportamento". Esta última engloba o behaviorismo radical (epistemologia), análise aplicada do comportamento e a análise experimental do comportamento. Que cobrem isso tudo que o cara fala.

FICO COM A IMPRESSÃO, embora eu saiba pouco para falar com mais firmeza, que ele simplesmente quer promover um nome que ele cunhou - logo, se promover.

Não acho que a Análise do Comportamento deva se separar da Psicologia. Quando tivermos condições disso, ela deve SUBSTITUIR a Psicologia, ou se tornar o paradigma desta, já que ambas são convocadas para responder a problemas semelhantes.

Alessandro Vieira dos Reis disse...

tbm tive a impressão q ele nao disse nada radicalmente novo

apenas soube se promover

e pelo visto deu certo, pq o instituto dele tem projetos grandes até a virada da década

ou seja, o professor Ledoux está mesmo de parabéns, pois foi lá, arregaçou as mangas e fez

cesar disse...

Nâo há nada de novo mesmo na abordagem do Ledoux. Trata-se de Análise do Comportamento e só. Mesmo a terminologia conceitual é a mesma usada pelos analistas do comportmanento. Como bem notou o Pedro, trata-se apenas de tentar cunhar uma nova terminologia para algo que já existe...

Alessandro Vieira dos Reis disse...

O que suscita um questionamento interessante, Cesar:

"Então por que ninguém antes do Ledoux não havia popularizado a Analise do Compt, criando empresas de consultoria (de sucesso) e publicando em revistas de longo alcance, como ele?"

cesar disse...

Vc acho mesmo que o Ledoux "popularizou" a AC? Não vejo ele sendo citado por aí nos periódicos especializados, nem vejo pessoas se denominando "behaviorologistas" ou que estão estudando o "behaviorologismo".
.
Aos meus olhos, esta tentativa do Ledoux de cunhar este termo (Behaviorology) é algo mercadológico e não se sustenta em termos de análise.
.
Sobre consultorias e publicações, não há nada que impeça que um Analista do Comportamento faça o que ele faz. Eu lhe pergunto: o que justifica a defesa desta nova denominação para AC?

Alessandro Vieira dos Reis disse...

Ledoux não popularizou a AC no Brasil, visto que aqui NENHUM dos meus colegas Doutores em AC nunca ouviu falar dele.

Contudo, pelo que pesquisei em fóruns em inglês, ele é bem conhecido nos EUA.

No mais, ele publicou no "American Scientist" um artigo de destaque (Grande façanha pra um membro da fechada comunidade behaviorista). Fora isso, o trabalho dele sobre AC aplicada para resolver o problema do aquecimento global está sendo muito comentado na Academia e na mídia aberta (É só checar como tem links sobre esse assunto numa pesquisa no google).

Creio que o trabalho dele merece um elogio por vários motivos, mas destaco um:

o cara é um PhD que não ficou trancado na Academia, mas ao invés disso consegue conciliar o trabalho de empresário (e de sucesso), dando consultorias; com a pesquisa e publicação de artigos cientificos em revistas muito conceituadas.

cesar disse...

Entendo, Alessandro. Tb acho louvável este ímpeto dele em "sair da academia e colocar a mão na massa". O que não acho louvável é esta nova terminologia que ele está propondo à compunidade de análistas do comportamento. Na minha opinião, o que o Ledoux está tentando fazer não é diferente do que o Hayes tentou anos atrás e fracassou: propor uma nova denominação que não acrescenta rigorosamente nada ao que já existe, só que com um outro nome.

Alessandro Vieira dos Reis disse...

me parece que Ledoux propôs não um novo conceito, mas apenas uma nova nomenclatura

Ele diz que os 50 primeiros anos do Behaviorismo renderam uma análise comportamenta, e que agora, com 100 anos de behaviorismo, a coisa já está madura o bastante para gerar uma nova disciplina (que ele batizou de "Behaviorlogy").

O cerne do trabalho dele não é criar um conceito novo, mas defender que um marco histórico já foi ultrapassado. Isto é, que já temos condição de ser uma 'logia' separados da "Psico-logia".

Esse tópico é polêmico, vai dividir opiniões mesmo. E desde já declaro que sou simpático a idéia de ter uma disciplina própria de Ciência Comportamental distinta da Psicologia.

Essa é uma tendência mesmo forte. Tanto é que a UFPA já está pensando há tempos em fazer uma "graduacão interdisciplinar em Ciências do Comportamento".

cesar disse...

Mesmo esta querela já existe dentro da Ac. Sinceramente, não vejo justificativa para esta nova denominação e acho que ela não terá eco em nossa comunidade verbal. Tb não acredito que a AC se separará da psicologia. O tempo dirá...

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